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Julho foi um mês que trouxe
grandes perspectivas e oportunidades para controle do tabaco em
nível global. Pela primeira vez na história do controle do
tabagismo temos globalmente, à disposição de governos e
organizações que trabalham com o tema, recursos significativos
para mudar de forma contundente e eficiente a estimativa atual de
que o tabagismo causará um bilhão de mortes no século XXI caso
nada seja feito para reverter esse quadro. Em 23 de julho, o
empresário Bill Gates se juntou à iniciativa Bloomberg e anunciou
um aporte de US$ 125 milhões ao longo de cinco anos para o
controle do tabaco. Na ocasião, Michael Bloomberg renovou o seu
compromisso com o tema fazendo um novo aporte de US$ 250 milhões,
que se somam aos US$ 125 milhões doados há dois anos. Torcemos
para que, juntos, todos nós, envolvidos no assunto, tenhamos
sabedoria para aproveitar essa oportunidade única de forma
construtiva.
A ACT teve o privilégio de fazer o discurso de abertura da
coletiva de imprensa, que anunciou o comprometimento desses dois
grandes homens do mundo corporativo que passaram a dedicar sua
vida à filantropia. Esse foi o primeiro anúncio feito por Bill
Gates após deixar a Microsoft e passar a ocupar-se com
exclusividade da Fundação Bill & Melinda Gates.
Foi o prefeito Bloomberg que conseguiu uma redução de 300 mil
fumantes em Nova York com vontade política e medidas simples, em
suas próprias palavras, com exemplos como a adoção de ambientes de
trabalho 100% livres de fumo, aumento de preços e impostos e
campanhas educativas. Ele mencionou, ainda, que nenhuma previsão
apocalíptica de perdas econômicas ou evasão de turismo se
confirmou. Muito pelo contrário, depois da adoção de ambientes
fechados 100% livres de fumo a cidade nunca teve tanto turista.
Ter dois gigantes do mundo dos negócios na luta contra o tabaco é
uma grande mudança de paradigma, pois sabemos que o maior
obstáculo para implementar políticas de controle do tabagismo é a
interferência da indústria do tabaco junto às autoridades
competentes. Agora, que temos líderes do mundo corporativo
comprometidos em salvar milhões de vidas, podemos ficar mais
confiantes de que não perderemos esta batalha.
Fiz questão de destacar, em meu discurso, que a cura para a
epidemia do tabaco não depende de uma nova droga ou do
desenvolvimento de uma vacina, mas sim da vontade política,
liderança e comprometimento dos governos e da sociedade civil. Foi
um momento ímpar em nossa história e também um reconhecimento
importante de nosso ativismo e liderança no tema. Atribuo esse
reconhecimento aos parceiros internacionais e nacionais que
fomentaram e apoiaram a criação da ACT e principalmente, à equipe
e aos integrantes da Rede ACT, que, em sua esmagadora maioria, são
pessoas engajadas e comprometidas com o tema e que já vêm se
dedicando a isso em suas respectivas áreas de atuação há muitos
anos.
Quem quiser assistir ao vídeo do evento, pode acessar o Youtube
direto no nosso site:
http://www.actbr.org.br/biblioteca/videos-conteudo.asp?cod=11
Justamente para aumentar nosso número de associados, estamos
promovendo, de 20 a 22 de agosto, em Salvador, o seminário
Alianças Estratégicas para o Controle do Tabagismo. O evento é
direcionado a ONGs e entidades de todo o Brasil que já trabalham
ou tenham interesse em promover o tema. Um dos nossos objetivos
como instituição é fortalecer a sociedade civil e formar novos
multiplicadores em prol do controle do tabagismo. Caso sua
entidade tenha interesse em participar, faça contato conosco e
enviaremos a programação completa do evento.
Nesta edição, apresentamos ainda o perfil da economista da saúde
Márcia Pinto, que apresentou um estudo inédito e muito
interessante sobre os custos das doenças relacionadas ao
tabagismo.
Boa Leitura.

Paula Johns |