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Fundada em Fevereiro de 1995 - Declarada de Utilidade Pública Municipal

 

 

 
ARTIGOS DRAUZIO VARELLA

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Mecanismo Diabólico

A SABEDORIA popular diz que o cigarro acalma e dá prazer e que dependência é psicológica.

A sapiência botequinesca esquece dos fumantes inveterados que tem ódio do cigarro, e que a nicotina provoca alterações fisiológicas insensíveis á força de vontade do cidadão.

Em artigo á revista ``Scientific American´´, Josef DiFranza revê estudos que explicam as raízes bioquímicas da dependência de nicotina e contradizem o dogma de que ela levaria anos para escravizar o usuário.

Trabalhos iniciados por ele em 1997, com centenas de adolescentes fumantes, demonstraram que sintomas de abstinência e dificuldade para largar de fumar são detectáveis logo depois dos primeiros cigarros .Em média, o adolescente ainda fuma apenas dois cigarros por semana quando eles se manifestam.

Agitação,irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade, queixas características da síndrome de abstinência, surge em apenas dois dias em 10% dos que fumaram uma única vez.E,em25% a 35% dos que fumam ocasionalmente durante um mês.

O aparecimento precoce dessa sintomatoligia aumenta 200 vezes a probabilidade de virar fumante para sempre.

A nicotina age em receptores existentes nos neurônios cerebrais. Ao ligar-se a eles, são estimulados circuitos que liberam neurotransmissores: dopamina, serotamina, opióides e noradrenalina, entre outros.

Na falta dela, os recptores ficam vazios, a concentração de neurotransmissores cai e a abstinência vem com tudo.

Se medirmos os níveis de atividade metabólica no cérebro de ratos que receberam uma dose diária de nicotina, durante cinco dias, observamos que depois da primeira dosa ocorre aumento relativamente limitado da atividade em diversas áreas cerebrais. Após a quinta, a atividade se torna muito mais intensa e espalhada pelo cérebro inteiro. Quer dizer, meia dúzia de dose é suficiente para que o cérebro fique sensibilizado e predisposto á dependência.

Em seres humanos. Após o primeiro cigarro a nicotina ocupará 88% dos receptores existentes.

Mas, a repetição do estímulo fará com que os neurônios aumentem a produção de receptores. Enquanto no principiante uma pequena dose preenche por um longo intervalo de tempo praticante todos os receptores disponíveis, naquele que fuma um maço por dia a síndrome de abstinência se instala depois de minutos.

O intervalo livre de sintomas entre o último cigarro e o ataque de nervos para acender o próximo é chamado de período de latência. Nos noviços esse período é longo; um único cigarro pode manter a crise sob controle por uma ou duas semanas. O uso repetitivo, entretanto, induz o aparecimento de tolerância, fenômeno que encurta progressivamente a latência.

Enquanto os sintomas de abstinência já são perceptíveis a partir do primeiro cigarro, a tolerância se desenvolve progressivamente no decorrer de meses ou anos. É ela, no entanto, que mantém o fumante nas garras do fornecedor.

Uma vez instalada, a tolerância finca raízes sólidas nos neurônios cerebrais. Depois de anos, quando o ex-usuário julga haver subjugado o vício e decide fumar apenas um cigarrinho, ela ressurge das cinzas: em poucos dias ele estará fumando como antes; senão mais.

Quem já fumo, como eu, tem direito de considerar-se ex-usuário de nicotina, ex-dependente jamais. Em algum canto do cérebro, a serpente da dependência estará á espreita do primeiro deslize.

Aqueles que conseguiram abster-se por apenas três meses ou passarem décadas em abstinência, quando recaem voltam com a mesma rapidez ao número de cigarro diários anteriormente consumidos. A dependência de nicotina é uma doença crônica, incurável, o cérebro do fumante nunca mais voltará ao estado original.

A farmacologia não conhece droga que cause tamanha dependência química.

A nicotina não vicia por causar sensações inacessíveis aos mortais que enfrentam o cotidiano de cara limpa. Inundar o cérebro com ela não faz você experimentar a alegria do álcool, a onipotência da cocaína, o relaxamento da maconha ou as visões do LSD. Você fuma apenas para aplacar as crises de abstinência que a própria droga provoca a cada trinta minutos.

O único prazer de quem fuma é sentir a paz de volta ao corpo suplicante, até que a próxima crise bata á porta para enlouquecê-lo. Parece invenção de satanás.


Antitabagismo inveterado

O destino me levou a encarnar a figura de antitabagista implacável. De uns tempos para cá, amigos, conhecidos e até pessoas estranhas ficam sem graça de fumar em minha presença. Na rua, transeuntes anônimos chegam à infantilidade de esconder o cigarro aceso, ao passar por mim. Nas festas, virei desmancha-rodinha: chego para falar de futebol, o grupinho de fumantes se desfaz para formar-se em outro canto, de onde debandará ao menor sinal de minha aproximação.
Atribuo ao destino o papel encarnado, mas tenho consciência da responsabilidade de meus atos: não é de hoje que escrevo sobre os males do cigarro e discuto o tema em programas de rádio e televisão. Mas outros médicos também o fazem, muitas vezes com mais propriedade e ainda com a qualificação de nunca haver fumado, sem por isso adquirir a fama de atormentador de fumantes que me persegue. Por que aconteceu comigo?

Não é fácil avaliar o impacto de ações humanas no espírito alheio, mas vou arriscar algumas explicações.

Em primeiro lugar, porque fui usuário de nicotina durante 19 anos, período no qual conheci a escravidão, a ansiedade insuportável das crises de abstinência, a humilhação de desentortar bituca amassada em cinzeiro cheio, a prepotência de fumar em ambientes fechados na presença de crianças, pessoas de idade, mulheres grávidas; finalmente, consegui me livrar desse inferno. Há 26 anos, nem por brincadeira ponho um cigarro na boca.

Segundo, porque tenho experiência dupla com essa droga: como ex-usuário e como médico de dependentes menos afortunados, que experimentaram na carne o sofrimento imposto pelas doenças pavorosas que o cigarro causa.

Terceiro, porque o que mais exaspera o fumante é ouvir admoestações de quem jamais fumou. Quem nunca sentiu o prazer de uma tragada nem o desespero da abstinência, pode fazer idéia de como é difícil deixar de fumar?

Duvido! Larguei há tantos anos e, ainda domingo passado, despertei mais uma vez no meio de um sonho recorrente no qual acendo um cigarro e encho os pulmões de fumaça. A nicotina é uma cascavel adormecida nas vísceras do ex-fumante, pronta para acordar e dar o bote ao primeiro contato com ela. Sinto que bastaria uma tragada para ir à padaria atrás de um maço. Se fosse condenado à forca e me concedessem realizar o último desejo, a primeira coisa seria pedir um cigarro antes de decidir.

Bem entendida essa introdução, vamos aos objetivos da coluna de hoje: defender a proibição definitiva de qualquer tipo de publicidade destinada a promover o fumo e propor aumento do preço do cigarro.

Todos recordam que a propaganda de cigarro na TV só foi proibida em 2000. Parece inacreditável que os fabricantes de cigarro, escorraçados das televisões dos países desenvolvidos desde os anos 1970 (ou antes), tenham tido liberdade para praticar o crime continuado de induzir crianças brasileiras a fumar em massa, até o início do século 21.

Não é preciso pós-graduação em marketing para constatar que a publicidade do cigarro é dirigida especificamente ao público infanto-juvenil. Os fabricantes se valem das estatísticas da Organização Mundial da Saúde: 75% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos; apenas 5% se tornam dependentes depois dos 25 anos.

Pois é, a publicidade foi proibida no rádio e TV, mas continua a ser exibida ostensivamente em espaços internos de bares e casas de espetáculos. Até quando vamos tolerar essa iniqüidade?
Quanto ao preço do maço de cigarros no Brasil, é dos mais baixos do mundo. Um maço das marcas populares é vendido a R$ 1,70 (ou menos, se vier do Paraguai), enquanto um litro de leite do tipo C custa R$ 1,50. Tem cabimento?

Se é para aceitar o argumento de que o preço deve ser baixo para não sobrecarregar o orçamento doméstico das camadas mais pobres, é o caso de perguntar se a mesma lógica não deveria ser empregada no caso da maconha ou do crack consumido pelos meninos da periferia de nossas cidades.

O preço do cigarro brasileiro nos enche de vergonha nos fóruns internacionais, porque há uma infinidade de inquéritos epidemiológicos demonstrando que pequenos aumentos reduzem substancialmente o número de fumantes e o número de cigarros diários dos que continuam fumando, especialmente entre os adolescentes.

Em 2001, um estudo importante mostrou que um aumento de 10% no preço é motivo suficiente para 7% dos adolescentes e 4% dos adultos deixar de fumar.

Na Califórnia, os índices de câncer de pulmão têm caído três vezes mais depressa do que no resto dos Estados Unidos desde 1998, quando o Estado aumentou o imposto em 25 centavos de dólar por maço.

Numa intervenção mais radical, a Prefeitura de Nova York aumentou US$ 3 na alíquota de impostos, elevando o custo de um maço para cerca de US$ 7, e promulgou uma lei para banir o fumo do ambiente de trabalho. Como conseqüência imediata, 15% dos adultos deixaram de fumar. Os técnicos calculam que essa redução numérica impedirá 60 mil mortes prematuras na cidade.

Em virtude desses e de tantos estudos semelhantes, este antitabagista inveterado toma a liberdade de insistir com as autoridades federais que é fundamental taxar com mais rigor a venda de cigarros. É uma medida simples, burocrática, para a implantação da qual podemos contar com a enorme experiência da Receita Federal, capaz de evitar um sofrimento humano imensurável, milhares de mortes prematuras, além de reduzir gastos com saúde e, de quebra, dar uma força para os cofres públicos.


Entrevista com Drauzio Varella – 2006
Mário Albanese

MA – Você foi fumante mesmo sendo médico e oncologista. Como explicar o fato?

DV – No início dos anos 60, as meninas de minissaia, com as bocas pintadas, fumavam em público assoprando fumaça para o alto. O cigarro estava em toda parte, na televisão, no cinema, outdoors e com os amigos. O jovem que não fumasse estava por fora. Fiz o curso de medicina fumando justamente na época em que começavam a aparecer os primeiros estudos sobre os efeitos nocivos do cigarro no organismo. Esses estudos eram invariavelmente contestados e desmoralizados por “cientistas de aluguel” que, contratados pela indústria tabaqueira, negavam até que a nicotina provocasse dependência química. Nos anos 70 a literatura científica já havia deixado clara a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer como de pulmão, esôfago, estômago, rim, bexiga e os tumores de cabeça e pescoço. No Hospital do Câncer de São Paulo já se sabia até que, de cada três (3) casos de câncer, pelo menos um era provocado pelo cigarro. Apesar do conhecimento teórico e da convivência diária com os doentes, continuei fumando... De fato, na irresponsabilidade que a dependência química traz, fumei na frente de doentes a quem recomendava abandonar o cigarro, fumei em ambientes fechados diante de pessoas de idade, mulheres grávidas e até de crianças pequenas. Durante quase 20 anos e como professor de cursinho, fumei nas salas de aulas, induzindo muitos jovens a adquirir o vício. Não há dúvida, a droga quebra o caráter do dependente.

MA – A nicotina é droga pesada?

DV - A nicotina vicia rápido, de cada dez (10) adolescentes que experimentam o cigarro quatro vezes, seis (6) tornam-se dependentes para o resto da vida! Vicia mais do que álcool, cocaína, morfina e crack, fato comprovado na pesquisa realizada durante anos na Casa de Detenção de São Paulo, ocupada por mais de 7.200 presos. Não havia problema em fazê-los entender que a fumaça era prejudicial aos pulmões inflamados. No retorno ao consultório, quando lhes perguntava se haviam parado, a maioria tinha abandonado a maconha e mesmo o crack, mas o cigarro não. Conseguiam se livrar do crack, mas poucos deixavam o cigarro. Tantos foram os casos que acabei convencido de que nicotina é a substância que mais dependência química provoca. No comércio dentro do Carandiru as compras eram à base de troca e pagas com maços de cigarro.

MA – E o álcool?

DV - No Carandiru, os presos bebiam “Maria Louca”, uma mistura de Biotônico Fontoura com pinga destilada clandestinamente, e o sinergismo existente entre o tabaco e o álcool acelera o aparecimento de tumores na boca, faringe esôfago. O câncer bucal é drasticamente potencializado pelo consumo cumulativo do fumo e do álcool. O álcool dissolve a nicotina, e favorece sua excreção pela urina. Assim, quando o fumante bebe, as crises de abstinência se repetem em intervalos tão curtos que ele mal acaba de fumar um cigarro, já acende outro. A nicotina provoca crise de abstinência insuportável. Sem fumar, o dependente entra num quadro de ansiedade crescente e que só passa com uma tragada. Enquanto as demais drogas dão trégua de dias, ou pelo menos de muitas horas, no tabagista as crises se sucedem em intervalho de minutos. Para evitá-las, o fumante precisa ter o maço ao alcance da mão, mesmo que esteja no chuveiro...Os dependentes do álcool têm prejuízos físicos e morais que repercutem na sua vida familiar e social. Enquanto houver oferta escancarada será muito difícil regular o tabaco e o álcool. Hoje, seus usuários dependentes são contados aos milhões. Cumprir as leis que regulam o seu consumo será uma medida sensata e profilática para a saúde pública.

MA – A repressão às drogas é um processo válido?

DV - O exemplo vem dos Estados Unidos. Os americanos investem US$10 bilhões anuais para sustentar o mais organizado aparato policial de repressão de que se tem notícia. E, mesmo assim, são os maiores consumidores de droga do mundo. As razões para esse quadro desalentador são múltiplas e de fácil entendimento. Há mais de 300 milhões de anos as sensações que proporcionam prazer ao corpo foram essenciais à sobrevivência do homem e dos animais. Quando uma abelha suga o néctar da flor o seu prazer é conseqüência da liberação de octopamina em determinadas áreas do sistema nervoso central. O mesmo acontece com o adolescente que cheira cocaína, a euforia experimentada resulta do processo de concentração de dopamina no cérebro. A semelhança dos nomes octopamina e dopamina, revela e indica que esses neurotransmissores são substâncias químicas muito parecidas. O consumo de qualquer droga cria um atalho que, disparado algumas vezes, engana o cérebro do usuário para escapar do seu controle e provocar o vício, uma doença crônica, recidivante e difícil de se tratar. A demanda obrigatória pela droga aumenta o preço e com isso o lucro é estratosférico, fator que facilita a corrupção de tudo e de todos. Lucros dessa magnitude não encontram barreiras para livrar os traficantes da cadeia, eleger políticos e aliciar bancos e instituições financeiras.

MA – A legalização das drogas seria uma solução?

DV - A experiência com a legalização do tabaco e do álcool, mostra que os usuários dependentes são contados aos milhões no mundo. A lei da oferta e da procura garante a sobrevivência perene do tráfico, legalizado ou não. Com a repressão o preço da droga aumenta e diminui relativamente o consumo, mas, sem conseguir acabar com ele!

MA - Qual a saída então?

DV - Diminuir o número de usuários oferecendo tratamento aos dependentes que desejarem mudar de vida, com o suporte de rígidos programas educativos e a utilização dos meios de comunicação de massa. As drogas psicoativas modificam a estrutura do cérebro provocando doença neurológica crônica e destruidora, que acaba com os prazeres da vida. A Lei Estadual nº 12.558/2006, publicada no Diário Oficial recentemente, reconhece que a dependência química é um problema de saúde pública e que com uma legislação adequada, será possível reduzir os danos ao usuário de drogas, diminuindo também seu custo social.

MA - Os tratamentos propostos pela medicina alternativa são válidos?

DV - Há 30 anos, médicos tradicionais tratavam reumatismo com óleo de rícino misturado com groselha ou essência de laranja para disfarçar o gosto insuportável de purgativo. Hoje, com a explosão do conhecimento científico, houve uma revolução na forma de praticar medicina. O tratamento médico só é adotado com a comprovação da eficácia dos estudos realizados. Esse rigor científico é imprescindível porque as doenças evoluem de forma imprevisível e também porque cada organismo reage diferentemente. Assim, o remédio que cura um, pode matar outro. Deve-se ainda considerar o efeito placebo que se efetiva em alguns pacientes simplesmente com o aconselhamento médico ou ao tomar remédio. Nos anos 70 o químico e cientista Linus Pauling, detentor de dois prêmios Nobel, um de química e o outro da paz, lançou a idéia de que a Vitamina C consumida em altas doses melhoraria a imunidade, preveniria gripe, resfriados e até o câncer. O resultado foi milhões de dólares em vendas e o uso indiscriminado da Vitamina C no mundo. Linus Pauling contudo, não conseguiu livrar-se do câncer de próstata no fim da vida e, o uso da Vitamina C, não revelou eficácia no tratamento de gripes e resfriados, em nenhum estudo realizado. Linus Pauling, não era médico... Mil anos atrás Isaac Judaeus, renomado médico do Egito, celebrizou os aforismos: “A maioria das doenças é curada pela natureza e sem a ajuda do médico. Não confie em remédios que curam tudo, eles são fruto da ignorância e da superstição. Faça o paciente sentir que será curado mesmo que você não esteja convencido, porque isso ajudará o esforço curativo da natureza”.

MA - Qual é sua opinião sobre a reposição hormonal?

DV Alguns médicos recomendavam a reposição hormonal para pacientes no climatério, por admitir que os benefícios seriam inúmeros, entre eles, a redução dos ataques cardíacos em razão do aumento do HDL, o colesterol protetor e a diminuição do LDL, o colesterol ruim. Em 2002 e no Estados Unidos, os resultados do mega-estudo conhecido “WHI – Womans Helth Iniciative, que a partir de 1991 acompanhou por onze anos 160 mil mulheres, comprovaram que as que receberam reposição hormonal tiveram 28% a mais de ataques cardíacos, além de mais derrames cerebrais, tromboses e câncer de mama, na comparação com as que tomaram comprimidos placebo. Se a reposição hormonal reduziu o número de fraturas por osteoporose, acusou também inesperadamente, a incidência de casos de câncer de intestino. Conclui-se que é preciso analisar vantagens e desvantagens em cada caso particular e discuti-las com os pacientes, para que seja tomada uma decisão de consenso. A medicina atual exige decisões conjuntas, tomadas por convencimento diante das evidências científicas apresentadas.

MA – Suas pesquisas na Amazônia foram satisfatórias?

DV - Pesquisamos cem (100) extratos vegetais, separamos seus componentes para avaliar o responsável pela melhoria e que mata as células tumorais. É um trabalho cauteloso, demorado e que é inviável monetariamente, portanto, não interessa ao governo que ainda espanta os interessados, que passam a vida na Amazônia catalogando plantas e são tratados como biopiratas . É preciso criar regras pois o preparo de um remédio leva 12 a 15 anos. Não aprendemos nada com a medicina dos índios. Tomam chás porque não têm remédio nem antibiótico.

MA – Interlocutor, apresentador de programas e sua efetiva participação na mídia, dão resultados, sob o ponto de vista profissional?

DV - Não resta dúvida, conversar com especialistas é um trabalho pesado e que exige estudo. Isso toma o tempo que tenho. Coisas e fatos que as pessoas desconhecem precisam ser explicadas. Não tenho coragem de parar com esse trabalho que me permite falar com 50 milhões de pessoas. Creio que posso dizer que estou bem informado e que nunca fui tão bom médico quanto agora.

     

   

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